A alma de borracha em Design Gráfico e em Fotografia


26 Jun
26Jun

Rubber Soul US Album 1965

Klaus Voormann Art variations for the Revolver Album, 1966

*Preâmbulo

O álbum dos Beatles Revolver é o tema central deste post passando pela barreira construída e vencida pelos fab Four em relação à qualquer vulgaridade ou lugar comum no design de capas de discos. A virada aconteceu em 1965, anto anterior ao lançamento do álbum Revolver, o mais vanguardista que conheço no pop britânico até hoje.

Klaus Voormann é mais conhecido como baixista da banda inglesa e londrina chamada Manfred Mann criada em 1962, uma banda que realmente aprecio pelo seu estilo metamorfósico contínuo. Manfred Mann chegou aos meus ouvidos por uma fanfardesca versão da composição de Bob Dylan chamada Mighty Quinn (o esquimó) lançada em 1969. Depois deste hit, Manfred Mann se transformou em vários estilos e nomes passando por Chapter Three e Manfred Mann Earth Band que retomou Bob Dylan com uma esticada versão da música (fabulosa) Father of Day Father of Night de menos de dois minutos para mais de nove minutos de duração. O Manfred Mann tocou ao vivo à poucos metros de mim num auditório da Universidade de Lund na Suécia, onde estive perdido meados dos anos 1970. O que vem ao momento é o desenhista gráfico Klaus e a esticada do som e da imagem. Os Beatles com o álbum de título muito mais do que estranho após escolhas delirantes do Ringo Starr, passou à se chamar “revólver” de revolução ou de um disco que simplesmente gira e isto não tem nenhuma relação com qualquer sugestão armamentícia. Além da Capa, Revolver tem uma das primeiras gravações com efeitos feitos com montagens e desmontagens, truques manipulados com fita magnética sugerindo efeitos que considero musicais e vanguardistas para época e para sempre, uma obra endossada pela genialidade técnica de George Martin. 

New Version of Dylan´s Mighty Quinn, performed by The Manfred Mann Earth Band

Beatles, capas de disco e edições de estúdio são assuntos independentes que se casam para um lançamento comercial; portando a figura de vários artistas está em jogo e especialmente um jogo vencedor por parte de Klaus na ilustração e por parte do ilustrador e designer Charles Front, obras primas não apenas para o álbum Revolver, mas também para o Rubber Soul de alma esticada.. A fotografia do Rubber Soul, disco anterior ao Revolver, ilustrava a capa do com cores quentes em fundo verde e com uma distorção intencional esticando a imagem dos quatro garotos de Liverpool,inclinada em 45 graus. Esta imagem tem sido uma marca intensa nas artes gráficas de Carles Front e nas fotografias de Robert Freeman. As sugeridas distorções bem planejadas na fotografia e na tipologia fazem uma referência tanto no design, como na fotografia bem associados com o estilo musical e com os instrumentos que invadiam os meus sentidos. Rubber Soul lançado em dezembro de 1965, com seu pacote todo, me remetia ao título e a elasticidade evocada pela banda ao se transformar, ou se transfigurar no som e na imagem. Na contra capa do Rubber Soul, cada Beatle teve direito à duas fotos em preto e branco com certas astúcias em relação ao campo e distância focal utilizados.


Sami Douek em 26 de Junho de 2020.

(atualizado em 27 de junho de 2020)

Comentários
* O e-mail não será publicado no site.