A fotografia digital foi para as nuvens?


15 Jun
15Jun

DE ONDE SAÍMOS HÁ 20 ANOS ATRÁS?

Um respeitável Design! (da minha coleção particular) Creative Labs Inc. Modelo DSC-P32 

"CCD from a 2.1-megapixel Argus digital camera" utilizado nas primeiras máquinas digitais e que ainda não usavam o conceito de armazenamento em chips removíveis.

Acima: Memory Stick Sony, 16 megabytes (dezesseis imagens de alta resolução) e abaixo, um filme por emulsão, Kodak Color Plus com 36 poses que dispensa comentário. Eu acho o Kodak um produto sexy.

A fotografia vai para as nuvens assim como a música também foi. Este voo para as estrelas já está seguindo este itinerário desde 2015, das nossa gavetas e prateleiras para o firmamento da virtualidade. A desmaterialização, a embalagem e os empacotamentos para viagem (meu sarcasmo inevitável transbordam meus pensamentos). O filme matéria prima que se comprava em tabacaria foi atacado por algum vírus cultural e marqueteiro que continua devastando a compreensão de algo conhecido como película de filme de 24 ou 36 “poses”. A expressão poses me parece poética e relacionada ao sujeito fotografado; não sei dizer mais.

esse negócio de estar nas nuvens já faz parte da minha infância e do palavreado dos meus professores. Mesmo que fora do contexto do Google e outros locadores de espaço na web, estou quase sempre nas nuvens mesmo sem ter morrido ainda.

Minha primeira máquina fotográfica de 1,2 Megapixels da Creative Labs Inc. e sem cartão de memória e sem display. Ela tinha o charme das máquinas analógicas onde o "laboratório" seria de computador com software dedicado.

COMO ESSA ENCRENCA TODA ACONTECEU SEM JAMAIS VULGARIZAR O ATO DE FOTOGRAFAR? 

Nos anos 1980 participei de uma reunião numa grande empresa sueca em Stockholm quando o tema foi algo do tipo “tendências das máquinas de processamento de dados e interação de som, imagem e texto”. Discursos com curvas, tabelas e desenhos com números estavam propondo a grande explosão deste crescimento, da qual esta empresa teve um notório papel. Eu trabalhava com microprocessadores de modesta velocidade de cálculo e perguntei ao guru atrás do projetor. What's the catch? (Qual é a pegada, em nosso jargão). E ele me respondeu sem hesitar um segundo: “The catch is the exponential increase of solid state memory chips production, and  that's all”. Ora nos anos 1980 já estavam desenvolvendo o CCD (sensor de imagem através de leitura ótica) e imaginei que no futuro um chip de múltiplos sensores, 24 ou 36 poderia substituir o filme  O tal guru sueco tinha razão é hoje um chip de 8 gigabytes pode armazenar milhares de fotografias em boa resolução o sensor CCD, apenas uma unidade por máquina ou por celular que faz tudo e nada sem os algoritmos e sem os biscoitos* que nos perseguem.

Minha segunda máquina digital, Sony Cyber Shot com resolução de 3,2 mega pixels 

Foi assim que viajei nas asas das máquinas fotográficas digitais ainda nos anos 1990 que vou ilustrar neste espaço. Com imagens posso me expressar numa imaginária linha do tempo que vai até 2005, há 15 anos.

Nota* = Cookies no jargão técnico.

Sami Douek

15 de junho de 2020

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