ANUSH


17 Sep
17Sep

ANUSH ERA A DOÇURA DOS CABELOS ENCARACOLADOS

Há muito tempo, em São Paulo conheci uma moça num café perto de casa chamado L'Arnaque. O café tinha charmosas paredes verdes (tal como gosto de paredes verdes) mobiliado em estilo que remete à um bistrô modesto parisiense com mesas de ferro fundido do lado da rua Oscar Freire rodeadas por cadeiras de madeira retorcida tal como as austríacas Thonet do século retrasado. Estava inevitavelmente me protegendo do frio úmido de julho usando um cachecol para que eu seja reconhecido por todos os passantes sendo sempre o mesmo gringo com seu echarpe xadrez. A moça tinha um ar oriental indecifrável e um cabelo encaracolado que realçava ainda mais seus olhos negros que harmonizavam um sorriso esplendido! Inesquecível. Me imaginei mais ousado do que sou, e quem sabe, sendo  ligeiramente aceitável para iniciar uma conversa. Perguntei e ela articulou “Anush” um nome pronunciado charmosamente e estranhamente aos meus ouvidos. Fiquei imóvel e mudo por 180 segundos quando repliquei repetindo “Anush” com meus olhos arregalados e um indisfarçável ar de seduzido; fui um iniciante sedutor seduzido! Me senti pequeno ao quase gaguejar repetindo seu nome e perguntando o significado das duas sílabas parecendo árabe.  Ela me disse que as duas sílabas eram originadas da língua armênia o que se fala na sua terra natal. Fique mudo enquanto ela degustava um café generoso que (felizmente) me parecia interminável. Logo mais ela chamou o maitre/atendente, quase amigo meu, para pedir a conta e se despedir… mas não; fiz a necessária pergunta com meu indisfarçável sotaque sobre o significado das duas sílabas que fazem seu apelido e ela me respondeu em pior sotaque do que o meu arrastando uma expressão ora em portugês, ora em inglês. E foi aí que eu viajei nos vocábulos e territórios totalmente desconhecidos quando ouvi “doce” e “sweet”. Entendi que o  nome dela traduziu imediatamente seu olhar e meu desconcerto que continua até hoje. Ela se foi e eu pensei em francês algo equivalente ao nome próprio Anush. Talvês Nounou? Estou sem resposta e longe da Armênia, muito longe dos ares, sabores e sorrisos armênios.

Sami Douek em 17 de Setembro de 2020

ANUSH WAS THE SWEETNESS OF CURLY HAIR

A long time ago, in São Paulo, I met a girl at a cafe near home called L'Arnaque. The café had charming green walls (as I like green walls) furnished in a style reminiscent of a modest Parisian bistro with cast iron tables on the side of Oscar Freire street surrounded by twisted wooden chairs like the Austrian Thonet from the back. I was inevitably protecting myself from the humid July cold by wearing a scarf so that I would be recognized by all passersby, always being the same gringo with his checkered scarf. The girl had an indecipherable oriental air and curly hair that further enhanced her black eyes that harmonized a splendid smile! Unforgettable. I imagined myself more daring than I am, and who knows, being suitable to start a conversation. I asked and she uttered "Anush" a name that was pronounced charmingly and strangely to my ears. I was motionless and silent for 180 seconds when I replied, repeating "Anush" with my eyes wide and an undisguised air of seduction; I was a seductive beginner seduced! I felt small when I almost stammered repeating his name and asking the meaning of the two syllables looking like Arabic. She told me that the two syllables came from the Armenian language, which is spoken in her homeland. Be silent while she tasted a generous coffee that (fortunately) seemed to me endless. Soon she called the maitre d ', almost a friend of mine, to ask for the bill and say goodbye ... but no; I asked the necessary question with my unmistakable accent about the meaning of the two syllables that make up her nickname and she answered me in a worse accent than mine by dragging an expression now in Portuguese, now in English. And it was there that I traveled in words and territories totally unknown when I heard "sweet" and "sweet". I understood that her name immediately translated her look and my bewilderment that continues today. She was gone and I thought in French equivalent to the first name Anush. Maybe Nounou? I am unanswered and far from Armenia, far from Armenian air, flavors and smiles.

Sami Douek on September 17, 2020



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