Fotografia na Fonografia


07 Jul
07Jul

Paul Mc. Cartney and his Kisses From The Bottom, like the Oldies.

ESTÁ TUDO TRAÇADO NA FOTOGRAFIA E NA FONOGRAFIA

Tudo “fotografa” e “fonografa” no meu cérebro e no meu mundo sensorial ao despertar. Sei que a minha degenerativa surdez não me faz Beethoven e que a minha alegria em apreciar as saias das mulheres em festa, não me faz Mozart. E que também o meu silêncio interno, certamente  não me faz Bergman. Eu insisto desde sempre em carregar uma bagagem de apreço à arte do olhar e do sentir. O meu despertar hoje, foi ao encontro de um tique taque na cozinha, um som e visual um tanto coloridos e sem nenhuma identidade ou personalidade interessante, seja na forma ou na função; um despertador deste século globalizado, repetitivo e desalmado pois no tal brinquedo exageradamente colorido, no verso vem estampado, um dizer atestando o que tudo explica:  “Made Cheap in China” diz o molde onde nasceu a carcaça deste barulhento relógio. Na realidade o relógio na cozinha é um medidor auxiliar e um gerador de ruído cronológico e deselegante. Um gerador nada inofensivo que me anuncia também em contagem regressiva que o tempo passa enquanto eu sei que a minha surdez avança. Eu sei observar e eu sei ler bastante, escrever muito e contar um pouco mas não sei cantar nem escrever poesias. Não me arrisco e por isso vou ao assunto em título.

A NATUREZA MORTA DO DISCO 

Observo em natureza morta objetos circulares envelopados por uma fotografia estampada sobre o que os comerciantes e produtores chamam “capa”; uma expressão vulgar tal como uma capa de chuva, tão vulgar quando transparente e quando não é amarela exceto  quando está vestindo uma garota de um filme francês dos anos 1960. A capa de chuva amarela naquela época não era capa mas sim um sobretudo charmoso. 

A dita capa do objeto chato e circular de duas faces, logo mais será peça de museu em exposições tal como a fotografia do bigode de algum imperador austro húngaro. Digo em homenagem das boas capas amarelas ou não, que vinham empilhadas em caminhões circulando pelo país afora abastecendo os ávidos de “hits” e rankings das rádios e das máquinas de cassino dos produtores, chamadas billboard. Parece mentira, mas não é não, e foi verdade durante umas cinco décadas no mínimo.

Pink Floyd, Wish You Were Here

A IMORTALIDADE DO DESIGN GRÁFICO E DA FOTOGRAFIA ESPERTA

O imortal cachorro Nipper

E vieram os homens que sabem da comunicação visual e da arquitetura dos traços e das imagens desde os anos 1930 e bombando num intervalo de 20 anos, creio entre 1959 até 1979 auge da hipgnosis que nadava em criatividade e em libras esterlinas. Hipnosis atendeu grandes estrelas do Rock de ambos os lados do Atlântico sempre para bolsos recheados, mesmo sabendo que arte e fotografia amassam e envelhecem em qualquer bolso. Dedico este post à algumas fotografias do meu acervo. As minhas fotografias documentam mas não enfeitam nem poderiam embalar corações.

Bom divertimento!

Sami Douek em 7 de julho de 2020

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